Sabiam que a Pitoco nem sempre foi feita por nós?
- Mauri Cá Marília
- há 4 dias
- 3 min de leitura
No começo sim, éramos nós, a cadeirinha Pitoco nasceu neste fundo de quintal, gentilmente cedido pelo meu tio Zé, na Vila Anglo – SP, quando depois de uma experiência mal sucedida em montar um espaço coletivo, virei uma marceneira sem teto... e com trabalho para entregar.
Demos um jeito no espaço com um mutirão de amigos, instalamos lonas para proteger as entradas de chuva, e foi lá, neste clima de aventura que desenvolvi o protótipo número #05 da cadeirinha-cubo, que mais tarde veio a se tornar a “cadeirinha Pitoco”. Isto foi em 2015.
Estávamos nos adaptando ao novo espaço quando em 2016 eu me reproduzi de novo. E essa barriga não ajudava muito na produção das primeiras levas de cadeirinhas que começaram a aparecer a partir de encomendas totalmente inesperadas.

Eu achava que produzir o meu próprio mobiliário poderia ser uma excelente idéia para realizar o meu sonho escondido de viver as custas das minhas idéias, (mesmo sem acreditar muito nelas na época) mas a marcenaria não era o contexto ideal para começar.
É difícil achar boa matéria-prima.
A produção é extremamente artesanal e perigosa.
O frete é complicado porque trabalhamos com grandes volumes.
Tudo isso me levou, na época, a querer encerrar a marcenaria. Eu não ia ter condições de cuidar de tudo depois de parir mais uma criança que logo iria chegar.
No dia que decidir fechar, recebemos uma encomenda de 15 cadeirinhas de um novo espaço referência em educação da primeira infância que estava sendo montado em São Paulo – o hoje super conhecido Mamusca, e achei que isso talvez fosse um sinal para continuar.
Foi aí que começamos a saga da terceirização do mobiliário Pitoco.
Ela é longa e, pra quem não gosta de detalhes técnicos pode ser enfadonha, então vou resumir. Sempre acontecia assim com marceneiros e empresas que trabalhávamos: o primeiro lote de cadeirinha vinha incrível, e depois, começava o declínio do padrão de qualidade. Este declínio poderia levar poucos meses ou alguns anos, mas sempre chegava.
Diante desta realidade, fomos obrigados a abraçar de novo a produção, mesmo o cenário não sendo nada favorável. As demandas se acumulavam num nível já impossível de dar conta: a comercialização dos móveis, a maternidade solo de duas crianças, o cuidado sem fim com a casa… enfim, tudo jogava contra. Tomamos coragem e alugamos uma garagem.
Estamos com a nossa oficina desde 2024.
Quando entramos era uma garagem sem porta, sem mezanino, sem nada.
Fizemos absolutamente tudo o que estão vendo na foto.
A jornada apertada, e os perrengues constantes, nos fazem sentir ainda mais orgulhosos do nosso espaço que conseguimos construir.
Escrevo este texto para comemorar que a cadeirinha Pitoco está de novo em boas mãos e anunciar que vamos relançar a cadeirinha Pitoco no mundo: a nova versão "Oficina Própria".

Em breve, trago um material mostrando todas os detalhes da novidade. Por hoje, digo que, ao longo desses dois anos de oficina, desenvolvemos tanto um novo modo construtivo quanto um novo tipo de acabamento, usando métodos que remontam às origens da cadeirinha, aquela do quintal do meu tio:
Encaixes.
Sem parafuso.
Acabamentos naturais.
Todas as técnicas que os marceneiros que contratamos nunca toparam fazer.
E falando neles, vou encerrar este texto com uma frase que eu tive que ouvir, e que sempre volta para me visitar. Quando estávamos na beira de romper o vínculo de trabalho, um deles me disse:
- Para você entregar a cadeirinha neste padrão de qualidade que está querendo, você vai ter que vender pelo triplo do preço que você vende.
Foi o mesmo que no dia que rompemos me falou:
- Se você não conseguiu dar certo com 05 marceneiros, o problema deve ser você.
Deve ser mesmo, só pode ser.
Quando relembro estas frases, me vem uma clareza do que estamos tentando fazer:
Provar que é possível fazer um objeto de altíssima qualidade, com madeira de verdade, trabalho artesanal e cuidado profundo, sem transformá‑lo em um produto inacessível.
Será que vamos conseguir?

















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